Avançar para o conteúdo principal

Um ano de Trump - Balanço

Um ano de Trump – Balanço

Faz hoje um ano que Donald Trump tomou posse como 45º Presidente dos EUA. Acontecimento este que foi a consequência do que se passou nos primeiros dias de Novembro de 2016, numa noite em que todos nós nos deitámos convictos de que Hillary Clinton iria ganhar(alguns convictos que a margem seria confortável) e acordámos incrédulos com a vitória do Magnata. 

Não foi só uma vitória de Trump, mas também uma forte derrota dos média, da cultura progressista e liberal americana que esmagadoramente apoiou Clinton, de muitos políticos tradicionais que desacreditaram e até gozaram com Trump e também do Presidente Obama.

Acompanhei bastante as Presidenciais Americanas, apesar de não ter torcido por nenhum dos candidatos tenho que confessar que achei inteiramente justa a vitória de Trump. Embora não seja norte-americano, se o fosse, ideologicamente eu estaria entre a ala conservadora do Partido Democrata e a ala neoconservadora ou moderada do Partido Republicano, mas estando este Partido Democrata cada vez mais radicalmente progressista em questões sociais/fraturantes, socialista na economia(vimos isso por Bernie Sanders) e a instalar o “politicamente correto” na sociedade americana, decidi muito cedo que não iria torcer por Hillary Clinton tal como em 2012 não torci por Obama contra o Republicano Mitt Romney.

 Mas do lado do Grand Old Party(Partido Republicano) achei sempre Trump o pior candidato pelo seu lado mais mal educado, vira casacas na ideologia e pouco coerente nas suas posições. Comecei por torcer nas Primárias Republicanas por Jeb Bush, tendo este desistido por fracos resultados fui para o hispânico Marco Rubio e tendo acontecido o mesmo acabei no Senador do Texas Ted Cruz. Mas pronto, contra tudo e todos… Trump venceu.

Quanto às Presidenciais em si foi uma mistura, foi Trump que as ganhou e foi Hillary que as perdeu. Mas há algo que não costuma ser realçado e o merece ser que é: o Donald Trump não ganha só no Colégio Eleitoral, ganha também no voto popular na maioria dos Estados(30). Algo que Obama não fez tão bem(28 e 26 nas duas eleições que venceu) e que John F. Kennedy, Jimmy Carter e Truman não fizeram quando venceram as suas eleições. Embora se goste de dizer que ele perdeu no voto popular global, a verdade é que ele vence o voto popular na maioria dos Estados, algo que nunca se diz. 

Aqui se viu a principal diferença, enquanto Hillary se preocupou com o voto popular, Trump preocupou-se em vencer os “Estados Chave”(Swing States) e em vencer Estados aos Democratas(“Estados da Cintura de Ferrugem”). Trump venceu Estados que um Republicano já não vencia desde 1988(Pensilvânia e Michigan por George H.W. Bush) e outro desde 1984(Wisconsin por Ronald Reagan). Além de ter vencido os “Battlegrounds” mais valiosos(Florida, Ohio e Carolina do Norte) e dos menos valiosos ter vencido apenas um(Iowa), enquanto os restantes foram para Hillary(Virginia, Colorado, Nevada e New Hampshire).

Foi uma vitória conseguida essencialmente pelos setores da sociedade americana que estão em perda, descontentes e todos votaram em Trump: Brancos, homens, pobres com educação média-baixa, mulheres casadas e donas de casa, evangélicos, católicos, operários, jovens que abandonaram cursos universitários, independentes, conservadores de ambos os Partidos e surpreendentemente… Latinos e Hispânicos que são emigrantes legais. Todos os outros setores votaram Hillary. 

Esta eleição serviu também para provar que tem que se fazer algo para vencer e não confiar na sorte, menosprezar o adversário e achar que historicamente temos que ganhar como fez a senhora Clinton. No final há que assumir uma coisa, pode-se não gostar de Donald Trump, mas ter ido contra tudo e todos e no final venceu contra todas as previsões… isso tem um nome que é: Vencer à campeão!

No dia 20 de Janeiro de 2017, na tradicional tomada de posse do Presidente, Trump fez um discurso com duas leituras, esperançoso e de alguma mudança para dentro do seu país e de desprezo e medo para o resto do mundo. No final de contas foi um discurso mais pobre em relação aos dos seus antecessores e muito voltado para dentro, sem ligar ao exterior. Algo que naturalmente preocupa o mundo. Ao fim de um ano de mandato há alguns aspetos positivos, alguns negativos e… muitos duvidosos.

De positivo vemos que a economia americana continua bem e em alta, que Donald Trump e a sua administração estão a ligar e a voltar a dar voz a certos movimentos e setores sociais que foram totalmente esquecidos e desprezados por Presidentes anteriores, nomeadamente por Obama e está aos poucos a cumprir as suas promessas, o que num politico começa a ser coisa rara.

De negativo vemos o seu estilo nada presidenciável e às vezes pouco educado, o que naturalmente o faz ser um Presidente com pouca popularidade e pouco respeitado, como demonstra aquele empurrão que deu ao Primeiro-Ministro do Montenegro só para ficar à frente na fotografia, a sua difícil relação com o Congresso tal como com a Comunicação Social e a imagem que passa de querer isolar os Estados Unidos do resto do mundo, entre outros aspetos.

Para terminar, tenho a dizer que o resto do mandato de Trump vai ser perseguido por dúvidas, ora sobre o que se passou ora sobre o que se vai passar. Será que a Rússia ajudou mesmo Trump a vencer as eleições? Será que membros e ex-membros tal como familiares estarão envolvidos nesta polémica? Será que a saúde americana será melhor sem o Obamacare? Será que Trump vai mesmo destruir a América e o Mundo se lhe apetecer, como deu a entender um livro recentemente publicado por alguém que esteve ligado ao milionário? Será que vai haver mesmo uma guerra nuclear entre os EUA e a Coreia do Norte? Será que Trump fez mal ou bem em ter saído do Acordo de Paris? Será que Trump fez mal ou bem em ter reconhecido Jerusalém como capital de Israel? Será que durante os anos de Trump na Casa Branca, a economia vai estar bem? Será que a reforma fiscal recentemente aprovada pelo Congresso levará a um enorme aumento de empregos como no tempo de Reagan ou levará a uma crise financeira como no tempo de Bush?
É esperar para ver! Mas apertem os cintos porque com Trump… nunca se sabe.

Jorge Afonso         20/01/18
Imagem relacionada

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A espiral da maldade

A espiral da maldade Talvez já vos tenha trazido um ou mais artigos com a minha exposição relativamente a este tema, mas acontecimentos recentes fizeram-me escrever este artigo, onde eu tentarei demonstrar, mais uma vez, o que eu acho sobre, não só as redes sociais, mas a tecnologia no geral. Para vos explicar o que me fez escrever sobre isto, na semana passada, um jovem com a minha idade, com o nome artístico MC Gui, filmou e publicou um vídeo nas suas redes sociais, onde fazia troça de uma criança que estava mascarada de Boo, num dos parques da Disney, em Orlando. Sendo direto, e sem rodeios, a menina tem cancro e está a passar por uma fase de quimioterapia, sendo óbvio que o cabelo tenha acabado por cair (peço desculpa se isto parece brusco, mas é a verdade). Ora, ela no parque estava a usar uma peruca da Boo, e o que deveria ter chamado a atenção a este jovem, que se diz músico, foi… eh pá, ainda hoje estou para perceber o que foi. Já existem muitas pessoas, e ainda bem, s...

A Palavra

A Palavra Antes de começar, deixem-me dizer-vos que estou a escrever este texto não porque aconteceu algo de importante que me tenha levado a escrever este artigo, mas sim porque cada vez mais noto a forma como é que a palavra (ou neste caso a falta dela) estão a influenciar tudo e todos. Para não começar já a disparar para todos os lados, e como todos devem perceber (alguns lembrar-se) antigamente a palavra era tudo. Era o que ditava o que iria acontecer (num determinado produto, ou num negócio, ou até mesmo numa simples confissão). Não sei a razão certa para isso acontecer, mas como não havia algo mais a que as pessoas se pudessem agarrar caso alguma coisa corresse mal, as pessoas acreditavam na palavra. Hoje, isso é algo que já não existe. Os “negócios” são feitos já com dinheiro, as confissões quase que não interessam (e aqui não me refiro só às da Igreja). A palavra já não conta para nada. As promessas são outra coisa que já não interessam. Uma pessoa hoje diz uma coi...

Frozen 2: o continuar de um legado

Frozen 2: o continuar de um legado O segundo capítulo, da animação baseada no livro a Rainha da Neve escrito pelo autor dinamarquês Hans Christian Andersen (que aliás entra numa   das piadas do filme), chegou aos cinemas e tal como o seu antecessor, veio já estabelecer recordes, sendo a maior estreia, de uma animação em bilhetaria, e deverá consolidar ainda mais esta posição, tendo em conta que ainda não estreou em alguns países, por exemplo o Brasil, onde só chega a 1 de janeiro de 2020. Mas bem, hoje não vou falar dos resultados económicos, mas sim, da minha opinião sobre o filme, por isso aqui vamos: Atenção esta análise estará livre de spoilers. <E> será relativa à versão em português do filme. Mas antes de passar à análise é importante fazer a sinopse do filme: Anna, Elsa, Kristoff, Olaf and Sven, deixam Arandelle e partem para uma floresta mágica milenar, onde tentam encontrar a resposta para o porquê dos poderes de Elsa. Agora passando à animação,...

Review da Web Summit 2018

Review da Web Summit 2018 A 3ª edição da Web Summit arrancou no dia 5 de novembro, na Altice Arena e na FIL, em Lisboa, e terminou no dia 8. Ao longo dos 4 dias, contou com cerca de 70 mil visitantes. Após em 2016 e 2017 o evento ter sido realizado em Lisboa, o Governo Português fez uma parceria a 10 anos que permite manter a cimeira na capital até 2028. Palco principal da Web Summit O que é a Web Summit? Considerada como “a melhor conferência de tecnologia do planeta”, a Web Summit reúne um conjunto de fundadores e CEO’s (diretores executivos) de empresas de tecnologia, startups de crescimento rápido, criadores de políticas e chefes de Estado. O objetivo é dar a conhecer ao público as suas propostas inovadoras, bem como a realização de talks onde dão a sua opinião acerca dos mais variados temas atuais. O 1º dia Um dos oradores do primeiro dia da cimeira foi Tim Burners Lee, o criador da World Wide Web . Falou sobre a responsabilidade que cada um ...

Years and Years: a previsão de um futuro assustador

Years and Years: a previsão de um futuro assustador Years and Years é uma mini-série televisiva da BBC One, criada por Russel T. Davies que estreou em maio deste ano. À semelhança de  Black Mirror e The Handmaid’s Tale , também ela nos apresenta uma visão sobre aquilo que a sociedade do futuro se pode vir a tornar. E tenho a dizer que é bastante assustador.  Reino Unido, pós-Brexit, 2019. É este o período de tempo em que a história arranca. É-nos apresentada a família Lyons, de Manchester: o casal Stephen (Rory Kinnear) e Celeste (T’Nia Miller) e as suas filhas Bethany (Lydia West) e Ruby (Jade Alleyne); o irmão mais novo de Stephen, Daniel (Russel Tovey), casado com Ralph (Dino Fetscher). Há ainda as irmãs de Stephen e Daniel, Edith (Jessica Hynes), a ativista que tem passado muito tempo longe da família, e Rosie (Ruth Madeley), que sofre de espinha bífida e acaba de ser mãe. A avó Muril (Anne Reid) funciona como o centro de união de todos os membros da família, po...