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Será que ainda há esperança na Humanidade?

Será que ainda há esperança na Humanidade?

No passado dia 9 de outubro, ocorreu um tiroteio numa sinagoga na cidade de Halle, na Alemanha, onde se encontravam 51 fiéis a assinalar o Yom Kipur, o maior feriado religioso judaico. O autor do ataque, um homem de 27 anos, confessou que foi motivado pelo antissemitismo e por ideologias de extrema-direita.

Diariamente somos bombardeados com notícias deste género. Mortes, ataques, crimes premeditados, corrupção. A vida humana é vista como uma banalidade, como algo que não tem valor e que pode ser facilmente substituída. A política está um caos. O ódio, a intolerância, a discriminação, fazem capas de jornais no mundo inteiro. São temas debatidos nas redes sociais, nas notícias, nos estabelecimentos de ensino. No entanto, parece que quanto maior é o debate, mais força os desastres ganham.

O que mais me preocupa na sociedade em que vivemos, é esta mentalidade de regressão. A todos os níveis. Em vez de avançarmos, de nos tornarmos pessoas cada vez mais civilizadas, aprendendo a respeitar as inúmeras crenças, ideologias políticas, as diversas etnias, parece que ficamos retidos num século remoto.

Todos os dias, pessoas em diferentes partes do globo são vítimas de intolerância a vários níveis: social, cultural, religioso, político, racial, etc. Atualmente, tudo aquilo que nos distingue uns dos outros, está a tornar-se uma ameaça para a continuidade da Humanidade. Mas é preciso entender que a diversidade é algo bom. É ela que nos faz avançar enquanto seres racionais. Sem ela não teríamos à nossa disposição tantas opções. Não haveria debate. Seríamos como robôs submetidos apenas a uma determinada ideia, não podendo questionar outras demais. Seríamos um ser formatado para pensar apenas de determinada maneira. Não teríamos a oportunidade de diferenciar entre o bem e o mal, o certo e o errado.

Vivemos numa sociedade construída na base de diversos valores, etnias, religiões, culturas. Temos opiniões distintas uns dos outros. Para quê continuar a persistir num mundo baseado no ódio, onde não há respeito? Aos poucos e poucos estamos a assistir a uma falha contínua naquilo que é a Humanidade. Não há respeito por diferentes pontos de vista. As pessoas não se importam umas com as outras. E assim vivemos, infelizmente, sob a alçada do rancor, da falta de empatia.

Se a sociedade está mal, é porque nós também estamos. Num mundo utópico, a solução para contornar este problema passaria pelo desenvolvimento de um fenómeno social que revertesse todos os flagelos. A ideia de liberdade total para todos está longe de ser alcançada, mas é a partir do momento em que começamos a trabalhar na luta contra os preconceitos, indiferença, intolerância, discriminação, que ela poderá, pelo menos, parecer mais tangível. Afinal de contas, são estes aspetos que têm vindo a originar uma bola de neve de problemas na nossa sociedade: o caos das guerras, dos ataques, das perseguições… O respeito mútuo pode muito bem ser o primeiro passo para uma gigantesca mudança de paradigma.

O ser humano é imprescindível para a existência de uma comunidade, isso é óbvio. A empatia é essencial para a civilidade. E é isso que nos faz falta. Quando somos confrontados com a desgraça alheia, somos os primeiros a apontar o dedo. E porquê? Porque isso é sempre mais fácil do que parar e pensar: “e se fosse comigo?”. Acima de tudo, é necessário reverter estas situações.


“Continuo a pedir a humanização da humanidade. 
Isso morreu? Pois, se morreu, é uma autêntica tragédia”. – José Saramago



Joana Simões                                12/10/2019 

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