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Redes Socias = Inferno


Redes Sociais = Inferno

O artigo do passado sábado da Joana Simões (e caso ainda não tenham lido, podem lê-lo aqui: Tecnologias: o Flagelo da Humanidade) e algumas coisas que tenho andado a ver e a ler pelas redes sociais, fizeram com que eu escrevesse este artigo e falasse sobre alguns casos que apanhei mais recentemente, que me fazem achar o que escrevi no título.

Explicando muito resumidamente, eu entrei há muito pouco tempo para a rede social Twitter, e foi aí, começando a seguir certas páginas, que me comecei a deparar com muitos posts que incentivam ao ódio. Nisto, comecei a acordar (mais vale tarde que nunca) para o que outras redes sociais são (de algumas já tinha opinião formada e já tinha percebido o objetivo final destes mundos, mas de outras só me apercebi depois).

No meu ponto de vista, e repito, no MEU ponto de vista, no Facebook temos uma busca implacável por “amigos” e a divulgação de tudo aquilo que se faz no dia (literalmente tudo. Se não tem uma conta nesta rede social, não se preocupe que não vale a pena. A sério, vá por mim). No Instagram temos a partilha de fotos (muitas vezes falsas) que tentam demonstrar uma realidade que não é aquela (ou então, o que está muito na voga, a procura por seguidores – principalmente os "influencers" – com os seus chatos giveaways. Sim “influencers” vocês são chatos com isso. Mas também sei que a culpa não é toda vossa, mas eh pá, digam às empresas parceiras para se acalmarem com o que eles querem dar). E finalmente, a última rede social onde cheguei, o Twitter. Aqui, vejo que muitos dizem exatamente aquilo que pensam, sem filtros (ou como as pessoas “inteligentes” acham que são, “frontais”. Sejamos sinceros, frontal não é desrespeitar, ofender o outro. Só para ficar esclarecido). Mas esta “frontalidade” não passa da “frontalidade” que vemos nos reality shows, onde apenas vemos ódio a sair da boca das pessoas e a circular pelo ar em volta do visado, criando ódio entre os dois (porque simplesmente são ofensas, não frontalidade). O mesmo acontece no Twitter. Só que aqui o ódio sai da leitura que se faz, e fica a circular em volta da cabeça do seguidor, o que vai levar a que mais ódio seja criado. Eu poderia começar a dizer onde e quem fez isso, mas para além de me tornar “chibo”, iria estar a cair no mesmo estilo que estas pessoas usam, e para não falar que, ou formaria ódio (da vossa parte) nestes “influencers” ou até mesmo em mim próprio. Claro que cada um tem o direito em dar a sua opinião e em escolher dá-la, mas na maior parte das vezes o que é dito não é interpretado por opinião, ou se é, é porque é contrária à nossa e por isso essa pessoa já deve morrer. Ironia (!? A sério, não leiam as coisas como se vos quisessem matar. Meu Deus).

Como vivemos numa sociedade em que já não são os mais velhos (ou seja, os mais experientes) que nos “influenciam”, eu tenho muito medo (mas muito mesmo) daquilo em que a sociedade do séc. XXI se vai continuar a tornar. É inegável que graças a estes influenciadores da loja dos 300, chegamos a um ponto onde a nossa sociedade não tem mais sentido crítico. Se um influenciador diz qualquer coisa, aquilo é para ser levado à letra e como uma lei universal (e ai daquele que disser o contrário). E muitas vezes é o que acontece. Alguém chega e diz que aquilo está mal, ou que é de opinião contrária à daquele “influencer”, e pronto, caiu o Carmo e a Trindade. Quase que ao publicar, o “influenciador” diz “ai daquele que disser o contrário daquilo que escrevi. Se disser, é logo bloqueado que é um mimo. Ou leva com hate dos meus seguidores ha ha ha (riso maléfico)”. Olhando bem, as redes sociais para além do inferno que são, parecem um culto, onde as pessoas se juntam e devotam em tudo o que o “ser que está no alto” (o “influencer”, não Jesus ou Deus) disse, sem tentar perceber realmente se aquilo é verdadeiro, ou está bem dito. E é basicamente assim que vivemos hoje em dia. Uma série de malta que se baba para tudo o que um “influenciador” diz. E também vivemos do modo em que se não gostamos da opinião de uma pessoa, bloqueia-se. E isso depois, passa-se para o mundo real. Se frente a frente, numa discussão (e atenção que discussão para mim é duas pessoas a trocarem argumentos sem levar as vozes), duas pessoas discordam e ficam chateadas, quando elas estiverem no seu recanto em casa, o que a outra pessoa vai levar é com o botão do bloquear em todas as redes que aquela pessoa segue a outra.

Para além da sociedade mesquinha que vivemos hoje em dia, isto não vai ter fim. Vamos sempre ter gente que, com a sua fama que ganhou (e não estou a pôr em causa a fama ganha), vai pensar que pode dizer tudo, que depois mesmo que diga merda haverá alguém que o defenda (e olhem que isso acontece – vejam por exemplo o caso Hugo Strada).

E pronto, chegamos ao ponto onde eu quero chegar. As redes sociais (que no início foram criadas para uma forma de entretenimento humana) estão a ser transformadas para terem um ambiente semelhante ao do Inferno, e que depois de entrar, mesmo que queiram sair, a coisa já fica muito complicada. Mas não se assustem. Como em tudo na Internet, as redes sociais também têm a sua coisa boa. Influenciadores bons, decentes. São poucos, mas há. Por isso, se não têm uma rede social e vão criar uma, sejam moderados com as coisas que fazem. Caso já tenham, acho que não vale a pena dizer mais nada. O que importa, é que todos sejamos felizes, mas numa internet decente, com uma sociedade, também ela, decente. Não se esqueçam que o futuro está nas mãos de todos nós.


André Ferreira                                02/09/2019

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